Em despacho publicado hoje no “Diário Oficial da União”, o Ministério da Justiça manteve a proibição do filme “Alô, Alô, Terezinha!” para menores de 14 anos.
Isso permite concluir que, nos dias atuais, os programas de Abelardo Barbosa, o Chacrinha (1917-1988), não poderiam passar na TV antes das 21h. Nos anos 1980, ainda sob a ditadura militar, a Globo transmitia o “Cassino do Chacrinha” nas tardes de sábados.
Chacrinha é um dos maiores nomes da TV brasileira de todos os tempos. Era anárquico, irreverente, distribuía abacaxis para calouros e oferecia bacalhau ao auditório. Seus shows lançaram nomes como Roberto Carlos e Raul Seixas. São dele as frases “Na televisão, nada se cria, tudo se copia” e “Quem não comunica se trumbica”.
A distribuidora de “Alô, Alô, Terezinha!” queria liberá-lo nos cinemas para maiores de 12 anos, mas o ministério não concordou, porque a obra possui “nudez e linguagem de conteúdo sexual”.
Dirigido pelo jornalista Nelson Hoineff, “Alô, Alô, Terezinha!” celebra a trajetória do Velho Guerreiro e reconstitui seu universo em depoimentos de artistas, calouros e ex-chacretes. O filme foi lançado no ano passado.
De nudez, o longa tem apenas imagens em que uma ex-chacrete, em traje tribal, mostra os seios e o “derrière”. A linguagem sexual se revela, por exemplo, na frase “Quem quer a calcinha da Fátima Boa Viagem [uma chacrete]?”, dita pelo próprio Chacrinha.
Procurado pelo R7, o diretor Nelson Hoineff não protestou contra a classificação indicativa de 14 anos, apesar de isso se traduzir em menos espectadores para seu filme. “Hoje é só classificação. Antes era censura”, lembra.
Hoineff vai além da leitura de que o veto do filme para menores de 14 anos inviabilizaria Chacrinha nas programações vespertinas atuais. “Se fosse hoje, Chacrinha não passaria pela portaria de qualquer rede de televisão. Ele seria barrado por um yuppie de 17 anos. Ele era diferente, melhor, e a televisão sempre apostou na pasteurização. Chacrinha era muito explícito e conseguiu o milagre de ficar na Globo.”
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